segunda-feira, 19 de maio de 2008

Conversa com papai

Sexta-feira, 16 de maio de 2008.


Aproveitei que hoje não voltei tarde para escrever um pouco, parece que estou doente, mas é verdade, em plena sexta-feira chego em casa às 01:00h da manhã (na verdade de sábado).

Todos os dias que antecedem a chegada da minha filha em casa me deixam tensos. Hoje a mãe pediu para que eu a deixasse dormir com ela porque no sábado terá uma festinha dos dias das mães. Lógico que deixo, mas confesso que sinto uma agonia, pois são horas a menos que fico com a minha filha, isso me angustia.

Pode parecer que não tenho muita modéstia com relação a esse assunto, mas acredito que pai igual a mim, ou melhor, só o meu. Digo por que quero conhecer outro pai além do meu e de mim, é claro, que acorda para buscar o filho recém-nascido no berço e colocar na cama deitado com a mãe para mamar, e depois colocar para arrotar, e depois colocar para dormir, e depois acorda ou nem acorda a depender do horário e vai direto para o trabalho, tudo isso com o maior prazer do mundo, o prazer de ser pai, de participar de todos os momentos ou tentar participar.

Meses que antecederam o nascimento do amor da minha vida, meu pai fez um comentário que jamais esquecerei, e até hoje de fato, é verdade, porque realmente isso acontece e tenho certeza de que será assim enquanto eu for vivo. Eis o comentário: “Del, depois que se têm filhos, você não dorme nem vai dormir mais um sono tranqüilo. Quando é recém-nascido, você tem que acordar de madrugada por que o neném chora com cólica, chora com fome, ou às vezes nem chora, mas você acorda por causa do instinto e vai ver se está tudo bem, se está bem aquecido, se está com calor, até pra ver se realmente está respirando, ou apenas para ver que belo trabalho você: um filho!” Pior, ou melhor, não sei ainda dizer, que realmente é assim mesmo, mas é assim para pais que nem o meu, que nem eu, que são famílias, que dão a vida pelo filho.

Continuando o comentário (que na verdade foi uma conversa de pai para filho, de pai para um futuro pai): “Quando o neném vai crescendo, você vai continuar sem dormir direito, seja por causa de uma febre devido ao crescimento dos dentes, seja para cobrir com um cobertor, seja para ver se está respirando, ou ainda assim, seja apenas para ver que belo trabalho você fez: um filho!” Nesse meio tempo, não podia nem tinha como conter as lágrimas que corriam pela minha face, quanto mais as que rolavam dentro de mim, no meu coração, por que se tem algo na minha vida que me dá muito orgulho, é o pai que tenho, um pai amigo, um pai solidário, um pai que ama incondicionalmente (acho que não existe uma palavra mais forte para tentar quantificar tamanho amor aos filhos).

Continuando novamente a conversa (mas parecia um monólogo): “Passada essa fase que requer um pouco mais de atenção e cuidado, você vai continuar sem dormir direito, porque as febres ainda existirão, gargantas inflamadas e gripes aparecerão, pesadelos também, na maioria das vezes mentirosos que nem os seus, que mais pareciam desculpas apenas para dormir comigo e sua mãe. E ainda assim, você continuará acordando caso nada disso aconteça, com o pretexto apenas de ver se seu filho está coberto, para “matar muriçocas”, para ver se está respirando ou apenas para ver que belo trabalho você fez: um filho!” Nessa parte da conversa, comecei a lembrar de algumas situações que meu pai havia mencionado, tais como acordar com ele acendendo a luz do quarto e “matando muriçocas”, me cobrindo ou vendo se eu estava suado e me dando um simples beijo de boa noite (sempre trabalhou de turno). Confesso também que gostava de dormir entre ele e minha mãe, era tão bom (quando dá ainda faço isso até hoje, sei lá parece que a cama é maior).

E não parou por aí, ele continuou com seu discurso de pai experiente que pretendo mais tarde (bem mais tarde), passar para as minhas proles: “Sabe filho, a pior fase para mim, foi a adolescência de vocês. Foi onde começaram a chegar tarde em casa, a ir nas festas e shows, a beber e fumar escondido, nunca sabíamos de fato com quem estavam ou o que estavam fazendo. Ficava em casa angustiado e naquela época não existia celular, apenas o “orelhão” que vocês usavam para ligar a cobrar pra casa pedindo para buscá-los, que era a parte que me deixava muito aliviado porque tranqüilo mesmo só quando via que vocês estavam intactos. Não sei se lembra, mas os pais sempre combinavam quem levava e quem trazia das festas, mas também lembro que vocês mentiam quando um pai não podia buscar e voltavam de ônibus, tudo isso para não deixar de sair.”

Nessa conversa com meu pai, acho que ele esqueceu ou não teve coragem (afinal eu ia ser papai de uma menina) de mencionar, às vezes que eu levava as “amigas” para dormir lá em casa, com a desculpa de que a outra amiga foi embora e deixou-a lá sozinha sem ter como voltar para casa, mas sempre ele deixava (teve filho homem tem mais que deixar mesmo).

Bom, apenas para finalizar, a conversa encerrou assim: “Então filho, para você ver que realmente não dormimos mais direito depois que temos filhos, te mostrei alguns exemplos, no entanto, o melhor de tudo, a melhor parte mesmo, é quando você acorda no meio da noite, entra no quarto de seu filho, acende a luz e fala: que belo trabalho eu fiz!”

Eu e Você

"Eu e você frente a frente...
É o medo e o desejo;
É desconfiança e a esperança;
É o grito e o silencio;
É o gelo derretendo a mão no fogo...
Eu e você frente a frente...
É ter sempre q me confrontar;
Encarar meus erros e as minhas razões...
As minhas verdades e as minhas ilusões;
Meu poder e a minha impotência;
A minha liberdade e os meus limites...
Quando eu to na sua frente, eu sinto toda a minha dor,
Mas só na sua frente eu posso sentir todo o meu amor."

Luiz Gasparetto

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dia das Mães

Domingo, 11 de maio de 2008.


Dia das mães sem mães. Deus me perdoe esse comentário que tem ambigüidade nos sentidos, mas é apenas para deixar bem explícito que minha mamãe viajou e eu passei sozinho.

Na verdade recebi alguns convites, mas achei melhor ficar em casa e fazer uma limpeza “espiritual”, no guarda-roupa e tudo mais onde pude fazer (menos na mente, isso é quase impossível ao menos para mim!). Minha vontade era de estar cheirando pitanga a tarde inteira, se não desse, ao menos tinha quase a certeza de que sairíamos à noite e eu assim conseguiria amenizar essa vontade (que até então estou achando absurda, ou seja, sem acreditar ainda que estou assim, bobo!) de querer que esteja sempre por perto.

Fim de tarde, “Xuxu” e eu fomos levar a pitaguinha de voltar para o pomar e quem sabe num futuro próximo (tomara que bem próximo), eu possa “colher” de vez para mim! Na volta uma parada para um “bate-papo” com D. Xanda (mãe de “Xuxu”), um amor de pessoa, que adoro e sei que também me adora muito (ela pensa que tenho juízo e deixa a filha sair comigo!).

Para finalizara noite, uma cervejinha e um pastel de camarão no Meu Chapa, com as presenças ilustres do professor de forró, sua paquera, Eu, o lutador de “jiu-jitsu” e meu “Xuxu”.

Embalos de sábado à noite

Sábado, 10 de maio de 2008.

Após uma noite meio que alucinante no *Sarau, porque não acordar nove horas da manhã para levar papai e mamãe no aeroporto sendo que cheguei em casa quase seis?

Bom, destino da noite: “Happy News” ou mais conhecida também como “Entre e seja assaltado”. Pois é, sabemos que Salvador tem a terceira noite mais cara do Brasil, mas não sabíamos que estava tão cara assim. Resumindo, pelo preço só conseguir beber cinco “long-necks” e uma dose de “whisky” (ainda tinha domingo pra sair não poderia gastar tanto!).

Dançamos forró, ouvimos reclamações de pisões no pé, vimos “mata-leões” (a melhor parte para mim), senti novamente cheirinho de pitanga (que delícia) e choramos pagando a conta.

Mas enfim, tudo valeu e muito a pena, pois estávamos novamente reunidos e dessa vez com novidades do momento (refiro-me ao mata-leão que meu “xuxu” tomou!) que adorei.

Fim de noite (na verdade início da manhã de domingo – 05:00h), volta pra casa.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

"Sarau dos Broders"

Sexta-Feira, 09 de maio de 2008.

Hoje teremos um *Sarau na casa de Rodrigo, amigo de adolescência (foi o mesmo que furtou a garrafa de licor quando tínhamos 16 anos no passeio de escola).

O dia começou agitado no trabalho, o telefone não parava de tocar, as telinhas laranja ou amarela do “msn” não paravam de piscar e vários e-mails para serem lidos e respondidos. Liguei três vezes para meu Xuxu (Vanessinha), passei duas mensagens para Pitanguinha (Jú), e respondi uns quatro e-mails desaforados de algumas problemáticas que sem querer (ou querendo), permitir que entrassem em minha vida. Não esquecendo que falei com o amor da minha vida (Maria) e também pensei no outro amor da minha vida.

E chega a noite do tão esperado “Sarau”, agora porque tão esperado eu não sei, mas tudo bem. Aliás, lembrei da minha parte porque foi tão esperado, afinal, iria ver a Pitanguinha mais cheirosa que já conheci em minha vida. Pois é, tive o prazer de ir “colher” por isso tenho como argumentar e defender esse comentário.
Bom, ao menos percebi que estamos evoluindo nessa questão de “luaus”, “saraus”, só não podemos pensar em “bacanaus”. Para mim, o “sarau” foi um sucesso, graças às presenças de pessoas maravilhosas, do tipo “Rodrigão”, “Pablito”, meu “Xuxu”, “Pinico”, “Cabeça”, “meu Preto” e “Pitanguinha”. Acreditem, são pessoas mesmos, e das melhores “espécimes”. Não posso jamais deixar de elogiar o som e a voz de Zé Paranhos (meu Preto), acho que sou o fã número um, mas aceito ser o dois também.

Esse evento cultural me fez perceber que amigos apaixonados ficam bêbados mais rápido, ficam chatos e dormem no sofá da casa de pessoas que nunca viu na vida, a propósito, tenho como provar com fotos e filmagens. Me surpreendi com o conhecimento instrumental de “Cabeça”, além de tocar muito ele conhece muito de muitos instrumentos, tanto conhece que deu umas aulinhas para meu “Xuxu” que diga-se de passagem, tem jeito. Agora cá entre nós, que tipo de cantora era aquela? Será ofendi a classe chamando “aquilo” de cantora? Acho que na verdade ela gosta é de um “microfone”.

Acredito que como toda festa tem seus altos e baixos, para mim o pior momento foi a dor da partida. Tive que deixar a Pitanguinha em casa, quando na verdade queria que ficasse, mas nem tudo são flores.

Fica por aqui a parte que lembrei desse “sarau” com repercussão tamanha que da próxima vez teremos que cobrar entrada.

Dan

terça-feira, 6 de maio de 2008

Metade

"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, Apenas
respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade...
Também."

Montenegro, Oswaldo

segunda-feira, 5 de maio de 2008

para doxo

"às vezes eu saio às ruas e penso em você
entro nos grandes magazines da cidade e compro você
sento nos botequins mais esbodegados e bebo você
discuto os assuntos mais anárquicos defendendo você
faço as loucuras mais impossíveis por amor a você
daí nos encontramos e eu começo a pensar em mim."

Franco, Aninha. Brechó. p. 110